sexta-feira, 16 de junho de 2017

[Resenha #43] Quatro Estações

Título original: Diferent Seasons

Autor: Stephen King

Tradução: Andréa Costa

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação: 2013 

556 páginas

Adicione em sua estante: Skoob

Valor: Amazon - Livraria Cultura - Livraria da Folha - Saraiva

Avaliação:





Originalmente publicado em 1983 e relançado em 2013, Quatro Estações é a prova de que o talento de Stephen King não é restrito apenas ao gênero do terror. O livro é composto por quatro contos longos, ou romances curtos, que fogem ao habitual do autor, o sobrenatural, e focam em um tipo diferente de monstro: aquele que habita a natureza humana.

"Isso é pior, eu acho. Quando o segredo fica trancado lá dentro não por falta de um narrador, mas de alguém que compreenda."    (pág. 321)  

A Primavera Eterna - Rita Hayworth e a Redenção de Shawshank abre a coletânea "kingiana" com maestria. O conto foi adaptado para as telonas sob título Um Sonho de Liberdade, que concorreu ao Oscar e tem Morgan Freeman e Tim Robbins no elenco, e conta como foi o longo tempo de permanência de Andy Dufresne, um homem inocente condenado à prisão perpétua pelos assassinatos da esposa e seu amante, na prisão de Shawshank. Essa história é narrada sob a perspectiva de outro perpétuo da prisão, Red, que conheceu Andy em uma primavera e se tornou seu amigo.

"Se isso fosse um conto de fadas, eu diria que Andy lutou até que o deixaram em paz. Gostaria de poder dizer isso, mas não posso. A prisão não é nenhum mundo de conto de fadas." (pág. 34)

O primeiro conto do livro faz um tour pelo ambiente recheado de sadismo e violência que é uma prisão causando tensão e comoção no leitor ao imaginar-se no lugar de um inocente confinado neste tipo de local. Além disso, traz uma importante lição sobre como é preciso continuar lutando, independentemente das circunstâncias. 

A obra segue com o conto Verão da Corrupção - Aluno Inteligente, que também ganhou sua versão para os cinemas, intitulada O Aprendiz. Dessa vez o protagonista é um adolescente de 13 anos que, ao descobrir que um morador das redondezas é um ex-oficial nazista, decide visitá-lo e confrontá-lo com as informações. Diferentemente do que o velho pensava quando o jovem entrou em sua casa, não tratava-se de chantagem que envolvesse dinheiro. Tudo o que o garoto queria era ouvir os relatos minuciosos e sórdidos de tudo o que aconteceu na Segunda Guerra Mundial e os livros de História omitiam. 

Inicialmente o leitor acredita que o ex-oficial trata-se de um pobre velhinho que sofria arrependido ao lembrar de todas as atrocidades que supostamente fora obrigado a cometer na guerra. Mas logo fica claro que tanto o velho quanto o jovem compartilham um sadismo incomparável e que ambos, cada um a sua maneira, são criminosos.

Conta Comigo, filme lançado em 1986, é baseado no terceiro conto deste livro, intitulado Outono da Inocência - O Corpo. Nele quatro pré-adolescentes, movidos pela curiosidade, partem para determinado lugar a fim de verem o corpo de um garoto supostamente atropelado por um trem. Durante a jornada ficamos conhecendo um pouco mais sobre cada um deles e de como a busca se tornou um marco em suas vidas.

Este conto é recheado de referências à vida do próprio Stephen King e sua adaptação cinematográfica se tornou um clássico dos anos 80. 

"Não há bem-estar sem dor; a salvação virá através do sofrimento."   (pág. 506)

O quarto e último conto do livro é o menor, menos conhecido e, talvez, menos interessante dos quatro. Trata-se da homenagem de King a Peter Straub, autor de Os Mortos-Vivos

Na obra de Straub, existe uma espécie de clube onde homens se encontram para dividir seus relatos sobrenaturais. No conto escrito por King, intitulado Inverno no Clube - O Método Respiratório, também existe um misterioso clube e a quinta-feira que antecede ao Natal é a data reservada para que seus membros contem histórias sobrenaturais. Em determinado Natal, um médico conta a história de uma mulher solteira que lutou com todas as suas forças para trazer seu filho à vida. 

Apesar de ser como uma obra que foge do gênero literário que Stephen King Quatro Estações é uma excelente leitura. Com personagens humanos, algumas pitadas quase imperceptíveis de terror (exceto pelo último conto, em que o gênero predomina), uma narrativa sensacional e certas surpresas no desenrolar de determinadas histórias, o livro pode ser lido até mesmo pelos mais medrosos.

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