domingo, 22 de janeiro de 2017

[Resenha #41] Marina

Título original: Marina  
 
Autor(a): Carlos Ruiz Zafón

Tradução: Eliana Aguiar

Editora: Suma de Letras

Ano de publicação: 2016

Edição: 1ª, 12ª reimpressão

192 páginas

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Valor: Amazon - Americanas - Livraria Cultura - Saraiva - Submarino

Avaliação:




"Todos temos um segredo trancado a sete chaves no sótão da alma. Este é o meu."    (pág. 8)

Sempre via as obras de Carlos Ruiz Zafón em destaque nas prateleiras das livrarias que costumo frequentar ou nos sites em que compro os exemplares para o meu acervo particular. Nunca dei muito crédito a elas. Pensava que fossem histórias chatas ou até mesmo que pertenciam a um gênero que não gosto: autoajuda. Mas, quando ganhei um exemplar de Marina de presente de Natal, me obriguei a lê-lo e percebi o grave erro que havia cometido.

Publicado originalmente na Espanha em 1999, Marina é o quarto livro escrito por Zafón e, embora possa ser lido em qualquer idade, é voltado ao público juvenil. Na obra, Óscar é um estudante de um internato em Barcelona que gosta de percorrer as ruas da cidade e apreciar a arquitetura dos casarões. Durante uma de suas explorações, um mal entendido faz com que conheça Marina e seu velho pai.

"Aqui [cemitério] estão as lembranças de centenas de pessoas, suas vidas, seus sentimentos, suas ilusões, sua ausência, os sonhos que nunca conseguiram realizar, as decepções, os enganos e os amores não correspondidos que envenenaram suas vidas... Tudo isso está aqui, preso para sempre."    (pág. 25)

Os três se tornam bons amigos e, em determinado dia, Óscar e Marina visitam um cemitério e se deparam com a sombria figura de uma mulher, totalmente vestida de preto. A partir de então, eles começam a tentar solucionar os mistérios que cercam a curiosa dama e se descobrem envolvidos em algo muito mais complexo e perigoso do que imaginavam.

"Ouvi de novo aquele som inclassificável. Hostil. Maligno. Foi então que senti um cheiro de podre, nauseabundo e penetrante. Vinha da escuridão, como o hálito de um animal selvagem. Tive a certeza de que não estávamos sozinhos. Havia mais alguém ali. Observando-nos. Petrificada, Marina contemplava a muralha de trevas. Peguei sua mão e guiei-a até a saída."     (pág. 32)

Marina é predominantemente do gênero terror, mas reúne também drama, suspense e aventura. Com sua escrita poética, Zafón nos conduz por uma Barcelona quase palpável com personagens que gostaríamos muito que existissem e cujos diálogos são riquíssimos.

Mesmo com poucas páginas - e este talvez seja seu único defeito - o livro de Zafón é incrível e capta a atenção do leitor de tal maneira que é quase impossível largá-lo. Sua história é sensacional e trata basicamente sobre a vida e o que estamos dispostos a fazer para evitar a morte. Seja a nossa morte ou a morte de um ente querido.

"Ninguém entende nada da vida enquanto não entender a morte."    (pág. 25)

Reunindo algumas cenas apavorantes com belíssimas demonstrações de amor, carinho e amizade, Zafón escreveu um livro memorável, para pessoas de todas as faixas etárias e que deixa um gostinho de quero mais.

"O território dos seres humanos é a vida - disse o médico. - A morte não nos pertence."   (pág. 186)

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