domingo, 15 de janeiro de 2017

[Resenha #40] Fábrica de Vespas

Título original: The Wasp Factory

Autor(a): Iain Banks 

Tradução: Leandro Durazzo 

Editora: Darkside 

Ano de publicação: 2016 

Edição: 

240 páginas

Adicione em sua estante: Skoob 

Valor: Amazon - Americanas - Saraiva - Submarino

Avaliação:






Originalmente publicado em 1984, trazido pela primeira vez para o Brasil em 2016 pela editora Darkside, Fábrica de Vespas, do autor escocês Iain Banks, é um soco na boca do estômago. Quando lançado, dividiu a opinião de seus leitores, pois, de forma perturbadora, crua, visceral e chocante, a obra trata de um tema difícil de ser abordado: crianças que apresentam traços de psicopatia.

"É claro que eu estivera matando coisas. Como diabos eu conseguiria cabeças e corpos para as Estacas e para o Abrigo se eu não matasse coisas? Não acontecem mortes naturais o bastante. Mas não dá para explicar isso às pessoas."    (pág. 24)  

Frank é um adolescente de 16 anos cuja rotina inclui matar pequenos animais e cravar suas cabeças em estacas além de observar vespas agonizando até a morte enquanto seu despertador toca. Alguns anos antes, causou a morte de três outras crianças e fez tudo parecer um acidente. Mas como o próprio personagem diz, foi apenas uma fase e não pretende mais fazer aquilo com humanos, apenas com animais. 

"Era tudo de propósito, claro. Pouco do que faço não é de propósito, de um jeito ou de outro."   (pág. 65) 

Os outros membros da família de Frank também são excêntricos. Sua mãe o abandonou logo após seu nascimento e seu pai, apesar de o ter criado, nunca o registrou. Além disso, ele mantém seu escritório, na casa onde vivem, trancado e em hipótese alguma permite a entrada de Frank. O irmão mais velho do protagonista, Eric, está internado em uma instituição psiquiátrica. Ou ao menos era onde deveria estar.

Após fugir do manicômio, Eric está voltando para casa a fim de reencontrar o irmão e o pai. Conforme vai se aproximando de seu destino, ele telefona para Frank e, na maioria das vezes, demonstra seu desequilíbrio mental. Durante toda a obra, o leitor fica curioso para saber o que levou Eric a acabar internado em uma instituição psiquiátrica. Pois, se Frank com sua atitudes horrendas não está internado, o irmão mais velho deve ter feito algo muito pior.

"Sempre tive uma postura muitíssimo ambivalente com relação a algo acontecendo ao meu pai, e ainda tenho. Uma morte é sempre excitante, sempre faz com que você perceba quão vivo e vulnerável está, mas quão sortudo é. Mas a morte de alguém próximo dá uma boa desculpa para que você fique um pouco doido por um tempo, e faça coisas que de outro modo seriam indesculpáveis. Que maravilha seria agir feito um alucinado e ainda assim ganhar a simpatia de todos!"    (pág. 59)

O desfecho do livro é sensacional e difícil de aceitar, num primeiro momento. Jamais passou pela minha cabeça que aquelas seriam as respostas para algumas perguntas e elas me deixaram boquiaberta.

"Nossas vidas são símbolos. Tudo que fazemos é parte de um padrão que, pelo menos em parte, decidimos. O forte cria o seu  próprio padrão e influencia o de outras pessoas, o fraco tem seus caminhos traçados por alguém."    (pág. 154)

Como a história é narrada pelo próprio Frank, é bastante crua e carregada de humor negro. Ficamos a par de como é sua maneira de pensar e, em alguns momentos, ele tem pensamentos confusos, enquanto em outros analisa suas próprias atitudes de maneira mais clara. A conclusão a que ele chega sobre si mesmo, logo após as revelações finais é bem interessante, principalmente para admiradores da psicanálise. 

Do ponto de vista de uma estudante de Psicologia, fascinada pelos mistérios que permeiam a mente de um psicopata, Fábrica de Vespas é um livro complexo e sensacional. A obra pode ser um pouco pesada em alguns momentos, mas sua leitura certamente merece ser feita.

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