domingo, 8 de janeiro de 2017

[Resenha #39] As Ruínas

 
Título original: The Ruins 

Autor(a): Scott Smith


Tradução:
Fernanda Abreu

Editora: Instrínseca

Ano de publicação: 2007

Edição:

368 páginas

Adicione em sua estante: Skoob

Valor: Estante Virtual

Avaliação:





"Um longo e desesperado grito de horror." 
Stephen King

Encontrar um livro de terror de qualidade nos últimos tempos tem sido tarefa difícil para os amantes do gênero. Mas, vez ou outra, é possível achar um que cumpra sua proposta e provoque tensão no leitor. É o caso de As Ruínas, do autor estadunidense Scott Smith.

"Só estou tentando ser cuidadoso, Amy. Ser esperto. E pensar no pior que pode acontecer faz parte de ser esperto. Porque, se acontecer mesmo, vai ser bom a gente ter planejado."    (pág. 123)

Jeff, Eric, Amy e Stacy estão prestes a iniciar uma nova etapa de suas vidas. Mas, antes de mergulharem de vez nos estudos, os quatro amigos viajam de férias para Cancún em busca de praia, festas e diversão. Durante sua estadia, conhecem um misterioso turista alemão que os convida a participar de uma busca por seu irmão, desaparecido enquanto seguia uma garota até uma escavação arqueológica no meio da selva.

Achando que seria um bom passatempo, os jovens aceitam participar das buscas e, acompanhados também de um grego que conheceram no hotel, partem rumo às ruínas. Esta foi a pior decisão que já tomaram e pode até mesmo custar-lhes a vida.

"Essa flutuação constante incomodava Eric, assustava-o, fazia a escuridão ali dentro do duto parecer ameaçadoramente animada. Sempre que a corrente de ar cessava, ele tinha a sensação de que ela havia sido interrompida por alguém, ou por alguma coisa, por uma presença que hesitava bem na sua frente, examinando-o e avaliando-o."     (pág. 103)

Fugindo da obviedade dos livros de terror dos últimos anos, As Ruínas provoca tensão no leitor do início ao fim. É possível imaginar o pânico que os protagonistas sentem ao se perceberem cercados, no meio da selva, por pessoas estranhas que ameaçam atirar caso ultrapassem um certo limite e saiam daquela área. Não existem meios de argumentar, negociar ou sequer entender o porquê são mantidos ali, pois eles não falam nenhum idioma em comum.

E parece que a civilização maia é apenas um dos problemas dos jovens turistas. Ao que tudo indica, existe algo naquelas ruínas que mata qualquer um que ali pisar. Além disso, eles estão incertos de quanto tempo permanecerão naquele local até que o resgate chegue (se chegar) e de quanto tempo conseguirão permanecer vivos com os escassos suprimentos que possuem.

"Ele estava deitado com a espinha quebrada no meio de suas próprias fezes e de sua própria urina, cercado por desconhecidos que não falavam a sua língua. Como é que ela poderia esperar melhorar essa situação?"   (pág. 117)

Uma das situações que mais chamam a atenção e causam tensão é a do grego. Em um determinado momento da história ele está gravemente ferido e os outros precisam decidir que providências tomar para tentar salvá-lo. Imagine-se no lugar dele: com muita dor, percebendo que seus companheiros estão decidindo o que fazer com você mas sem entender sequer uma palavra do que estão dizendo, sem poder argumentar e expressar suas necessidades.

O livro ganhou adaptação cinematográfica e o filme é bom. Exceto por uma ou outra alteração de qual fato acontece com qual personagem, o longa é mais fiel à obra do que eu imaginava e vale a pena assistir.

Assim, As Ruínas é um terror psicológico que nos faz refletir sobre até que ponto vamos para sobreviver. Diante da fome, da sede, da fadiga e do medo o que somos capazes de fazer para nos manter vivos? Existe ser humano racional diante desses extremos ou o instinto de sobrevivência predomina?

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